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quinta-feira, 10 de maio de 2007

Gastos "de"correntes.

Ontem foi dia de festa nos gabinetes do Congresso Nacional. Depois de alguns meses de indefinição e pressão da opinião pública, os deputados federais, enfim, conseguiram aprovar um aumento de 28,53% para os seus próprios proventos. E para não serem acusados de egoísmo, extenderam o aumento ao Presidente, Vice-presidente e Ministros de Estado.

Os sabichões aproveitaram a chegada do Papa ao Brasil, fato que naturalmente atrai a atenção da mídia e da população, para decidirem em votação simbólica aumentar seus próprios salários. O que será que o Papa diria sobre a nobre estratégia dos parlamentares?

Agora vem a parte que eu achei a melhor: chamado a comentar o aumento salarial aprovado pela Câmara dos Deputados, o Ministro da Defesa, Waldir Pires, declarou: “Quando um ministro termina de pagar as coisas que decorrem do fato de ser ministro, fica com R$ 4 mil ou R$ 5 mil. Não tem sentido. Um gerente qualquer tem um salário melhor que um ministro.”

Primeiro fiquei intrigado, o que será essas “coisas” que os ministros pagam que decorrem do fato de serm ministro e que justificariam um adicional? Eu não tenho a mínima idéia, mas tendo em vista que o salário atual dos Ministros de Estado é de R$ 8.362,00, conclui-se que elas consomem metade do dinheirinho de “suas excelências”. Estou curioso, o que será? Moradia? Alimentação? Transporte? Vestuário? Imposto de Renda? Não não pode ser. Se for, devo lamentar ao Ministro pois, depois de eu pagar as coisas que decorrem do fato de ser “eu”, não sobra é nada!

Depois cai na gargalhada com a comparação com o tal “um gerente qualquer”. Não sei se “um gerente qualquer” depois de pagar as coisas que decorrem do fato de ser "um gerente qualquer" ainda fica com algum dinheiro para pagar coisas não decorrentes do fato ser "um gerente qualquer", o que sei é que se ele se demonstrar tão competente e responsável quanto o citado Ministro, o seu salário será de R$ 0,00. Ou será que alguém dúvida que incompetência na iniciativa privada dá demissão por justa causa?

Mas o que se esperar de um Ministro da Defesa que afirma que não é responsável pela crise aérea dos últimos meses e que “a responsabilidade é dos acontecimentos”. Será que ele aprendeu com o Presidente (clique aqui). Socorre, Jesus!!!!

Eu adoro os comentários do Ministro da Defesa. Já reservei vaga para Sua Excelência na ala nobre da Casa Verde.

segunda-feira, 23 de abril de 2007

Instrumento



Acho lindo pianos. Gosto especialmente daqueles pianos pretos de concertos, enormes. Contudo, se me derem de presente o melhor piano que existe no mundo, ele será, no máximo, o mais inútil de todos os aparadores de porta-retrados do mundo. Por que? Oras, porque eu não sei tocar nem "parabéns p'ra você" no piano. O que quero dizer é que instrumentos, por melhor que sejam, são apenas instrumentos; sem alguém capacitado para utilizá-los, se tornam inúteis objetos de fetiche.

Matéria da Folha de São Paulo, publicada na edição de hoje, com base em dois estudos feitos a partir dos resultados do Saeb (Sistema de Avaliação da Educação Básica), aplicado pelo MEC, revela que o uso de computadores nas escolas não melhorou o desempenho dos alunos em português e matemática. Por que? Bem segundo um dos pesquisadores envolvidos, a falta de efeitos positivos pode ser explicada por como os equipamentos têm sido usados. "Talvez esteja faltando em muitas escolas um professor que oriente o aluno a usar o computador".

Não tenho a solução para o problema da educação no Brasil, mas algo me diz que se o problema fosse somente a falta de dinheiro as coisas estariam mais perto de serem resolvidas. É claro, pelo menos para mim, que falta ao país um projeto de educação que responda a duas perguntas básicas: "que educação queremos" e "qual a finalidade da educação que queremos". Sem resposta para essas duas perguntas de nada adianta equipar as salas de aulas e os pátios escolar com toda a sorte de equipamentos. Enquanto isso, as escolas se transformarão, cada vez mais, em depósitos de pianos, de gente, de potenciais.

quarta-feira, 11 de abril de 2007

Vossa Excelência, Deputado Garfield


Quem leu os jornais de hoje, deve ter reparado que o parlamento brasileiro não brinca em serviço, isto é, eles não topam com o serviço de jeito nenhum. Aconteceu assim: os líderes partidários se reuniram com o presidente da Câmara para discutir vários assuntos que estão trancando a pauta e impedindo votações na Câmara dos Deputados. Estavam na fila as emendas que restringem o emprego de parentes no serviço público e o preenchimento de cargos comissionados, o fim do voto secreto, a reforma política e o aumento do repasse do fundo de participação dos municípios (FPM), entre "otras coisitas más" (Desculpe-me, estou com a mesma mania do Presidente de falar em espanhol). No entanto apenas um tema obteve consenso entre os nobres parlamentares. Por unanimidade (e por favor, não vamos nos referir à Nelson Rodrigues e aquele lenga-lenga de que toda a uninimidade é burra, porque eu já não agüento mais esse povo que cita Nelson Rodrigues para tudo) ficou decidido que nenhum deputado precisará bater ponto às segundas-feiras em Brasília. De acordo com os representantes do povo, as sessões de segunda não são produtivas. Então, podemos concluir que quanto menos eles trabalham mais eles são produtivos?!?!? Prezados leitores, eu juro que tento, mas o negócio é coisa de doido mesmo. O jeito é chamar para recall esse povo.

Deixa o homem trabalhar


Gente, prometi mas não cumpri. Ontem não deu para escrever nada sobre os 100 primeiros dias do 2º mandato do Lula. O trabalho aqui na Casa Verde tomou todo o meu tempo e quando fui ver já estava engolido pela máquina. Desconfio de alguma conspiração palaciana para impedir a expressão do livre pensamento. São nestes momentos que lembro do barbudinho alemão: "Trabalhadores do mundo, uni-vos".

segunda-feira, 9 de abril de 2007

É amanhã.


Amanhã o 2º mandato do Governo Lula completará 100 dias. Como a esperança é sempre a última a perecer aqui na Casa Verde, aguardarei as próximas 24 horas para escrever o que penso sobre as 2.400 horas precedentes. Como gostam de enfatizar os controladores aéreos "atenção redobrada nestas próximas 24 horas", quem sabe algo de surpreendente ocorra?

terça-feira, 3 de abril de 2007

Combinou está combinado


Para os ainda não iniciados, a pedagogia aplicada, hoje em dia, nas escolas valoriza, sobremaneira, o processo de combinado na educação das crianças e adolescentes. Em suma, rogam os especialistas que ao ter suas demandas submetidas a um processo de negociação, as novas gerações aprendem a argumentar seus pontos de vistas, a fazer concessões e a respeitar o resultado como sendo o coletivamente possível e melhor para todas as partes. Desde modo esperasse educar cidadãos mais participativos, questionadores, responsáveis e defensores dos acordos sociais que nos permitem compartilhar ruas, escolas, praças, prédios, campos; enfim isto que chamamos civilização. Porém, para que tudo isto de fato ocorro os pilares fundamentais de todo o processo são: o respeito ao combinado e a capacidade dos pactuantes em cumprir o acordado. Isto é, quem combina algo tem que ter gerência ou posse sobre os termos do acordo. Por exemplo, se você combinou com o seu filho em permitir que ele ande no ponêi do circo, você tem que ter condições de influenciar o dono do circo em permitir seu filho a montar no quadrupede ou ser você próprio o dono do circo Por respeito ao combinado entende-se que aquilo que se combina tem que ser respeitado. Não vale voltar atrás unilateralmente. Combinou está combinado. Quer voltar atrás?!? Então, tem que combinar de novo.

O dicionário Houaiss, em sua versão on-line, defini combinado como o que foi agrupado, unido; objeto de combinação, pacto, acordado, acertado; que foi resultado de planejamento, delineado; que apresenta em harmonia, harmonizado, consoante, ajustado. OK, fiquemos por aqui.

Agora me respondam se puderem: que acordo foi esse que o Ministro Paulo Bernardo fez com os controladores de tráfego aéreo na última sexta-feira? Primeiro, ele não tinha gerência nem tem a posse dos termos do acordo. Quem controla os controladores aéreos é o Comando da Força Aérea Brasileira, por sua vez sob o comando do Ministério da Defesa. Depois, convenhamos que o combinado do Ministro foi tudo menos harmonizado, acertado ou planejado, e olha que ele é Ministro de Estado de Planejamento, mas isto é assunto para outro dia. Agora, que o acordo repercutiu meio mal entre os militares e na mídia, quer voltar atrás disdizendo o que disse, ou melhor, dizendo que nunca vez combinado nenhum. Conclusão, após mais um final de semana de caos nos aeroportos chegamos onde estávamos a seis meses: sem saber se o aeroporto é apenas o local que vamos para viajar ou se a viagem é só ir ao aeroporto.

quarta-feira, 28 de março de 2007

Opa, que eu ajudei a comprar essa bola!


Nas eleições proporcionais brasileiras a coisa funciona mais ou menos assim: o eleitor vota em um candidato ou, se preferir, na sigla do partido político de sua preferência. Depois a justiça eleitoral reuni o montante de votos manifestados na referida eleição, divide pelo número de vagas em disputa e estabelece o coeficiente eleitoral. Isto é, o número de votos necessários para todo e cada partido político eleger um candidato. Depois de verificar o coeficiente eleitoral, agora a justiça eleitoral verifica o número de votos atribuídos a cada um dos partidos políticos, divide pelo coeficiente eleitoral e determina o número de candidatos que cada partido elegeu naquele pleito, esse número é o coeficiente partidário. Os candidatos que tomarão posse dos cargos em disputa são aqueles mais bem votados em cada partido, respeitando os respectivos coeficientes partidários.

Acontece, e não tão raramente, que alguns eleitos não atingem nem uma ínfima parte, mas como são muitos os candidatos unidos sob a bandeira do partido, a soma de todos acaba conseguindo eleger um. Magnífico! A união faz a força e, neste caso, a coletividade partidária elege um companheiro que irá representar os interesses daquele grupo. Upa! As minorias serão representadas! Que ótimo, né? Seria se dias após os resultados o indivíduo favorecido por essa matemática toda não resolvesse se unir a outro grupo, em geral a maioria, abandonando os antigos companheiros. Em outras palavras, é como se o coleguinha pegasse a bola comprada com a vaquinha de todo mundo, mudasse de bairro, levasse a bola e deixasse os antigo vizinhos chupando dedo. Você acha isso certo? Pois é, mas era isso mesmo que acontecia. Coisa de doido, né? Pois é, o jeito é aumentar a população residente na Casa Verde.

Agora, o TSE revolveu que isto é errado. Está vendo, meu filho, é errado. Se o coleguinha resolver mudar de bairro e brincar com novos amigos, deverá antes devolver a bola comprada em conjunto com os velhos companheiros.

Agora sim, todo mundo vai entender como é que funciona a tal eleição para deputado.Viu como você tinha razão. Parece que eles recobraram a razão. Finalmente, novas vagas na Casa Verde.